Despedida de Solteiro (1992-1993)

 



1992. Tinha 12 anos. Era batata. Estava no quarto. E era só começar a ouvir o refrão Sugar, ah, honey, honey, e corria para a sala. Eram outros tempos. Sem internet, celular. E raras famílias tinham mais de um aparelho televisivo. O jeito era reunir a galera, chegar a um lugar comum sobre o que assistir, se sentar em frente à televisão, e curtir a atração da vez. No caso, Despedida de Solteiro.

A música de abertura, Sugar, Sugar, remix do clássico dos anos 1960 gravado originalmente pela banda The Archies, embalada por visual inspirado nos jogos de videogame Pitfall! e Prince of Persia, apresentava uma animação pixelizada e simulava um jogo. A canção era alegre. Mas a história, nem tanto. E trazia toques de tragédia.

Exibida pela Globo de 1º de junho de 1992 a 29 de janeiro de 1993 em 206 capítulos, a telenovela sucedeu Felicidade e antecedeu Mulheres de Areia. Foi a 43ª "novela das seis" da emissora.


O escritor Walther Negrão teve a colaboração de Rose Calza, Ângela Carneiro e Margareth Boury, para contar a história ambientada na fictícia cidade de Remanso, em 1985, onde os amigos Pedro (Paulo Gorgulho), Pasqual (Eduardo Galvão) e Xampu (João Vitti) se reúnem para a despedida de solteiro de João Marcos (Felipe Camargo). A festa termina tragicamente, levando à prisão injusta dos amigos pelo assassinato de Salete (Gabriela Alves). A narrativa impacta a vida de outros personagens: Flávia (Lúcia Veríssimo), irmã de Xampu, e Marta (Lucinha Lins), que assume os negócios de seu irmão Pasqual. Lenita (Tássia Camargo), noiva de João Marcos, também enfrenta reviravoltas ao casar-se com o inescrupuloso advogado Sérgio Santarém (Marcos Paulo).

Reynaldo Boury, Cláudio Cavalcanti e Carlos Manga Júnior se dividiram na direção dos episódios e comandaram elenco diversificado, de intérpretes consagrados e jovens talentos a exemplos de Rita Guedes e Helena Ranaldi, em sua estreia. Marcos Paulo ficou tão perfeito no papel vilanesco que despertou aversão do público, a ponto de o ator ser xingado nas ruas.


Rodado na cidade cenográfica originalmente criada para Mulheres de Areia, o folhetim destacou-se pela modernização do figurino em sua segunda fase: Walther Negrão fez pesquisas em uma casa de detenção para desenvolver o personagem Xampu, que contrai o vírus HIV na prisão.

A trilha sonora nacional foi lançada em CD, K7 e LP pela Som Livre. As faixas Ser Mais Feliz, do Roupa Nova (sempre presente nas trilhas globais) e Nós Dois, de Maurício Duboc e Varda, viraram hits.

Com média de 45 pontos de audiência, Despedida de Solteiro ultrapassou as fronteiras brasileiras e chegou a diversos países da América Latina: Bolívia, Chile, Equador, Guatemala, Nicarágua, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. E até Portugal. Voltaria à grade do canal da família Matinho no Vale a Pena Ver de Novo, em 1996 e, posteriormente, chegaria ao Viva, na TV a cabo, entre 2015 e 2016,

Um clássico da teledramaturgia.







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